Câmara e Assembleia Municipal (IV)
HÁ 50 ANOS AS PRIMEIRAS ELEIÇÕES LIVRES PARA O PODER LOCAL NO CONCELHO DE BEJA (6)
Chegados ao fim do dia de 12 de dezembro de 1976 e depois de contados os votos verifica-se uma vitória expressiva da FEPU para a Câmara, com mais 3 124 votos que o PS, ou seja, uma diferença de 15,37%. Quanto às outras forças políticas os GDUPs são a formação mais votada, com 5% dos votos, praticamente empatada com o CDS.
Na explicação desta vitória clara da FEPU encontra-se, entre outros aspetos, o peso eleitoral dos assalariados rurais integrados nas novas unidades de produção da reforma agrária: cooperativas e Unidades Coletivas de Produção, o que leva esta formação política a colocar na sua lista, embora como primeiro suplente, José Baptista Mestre Soeiro, na altura dirigente do Sindicato dos Trabalhadores Agrícolas do Distrito de Beja.
Em termos de mandatos, a FEPU obtém quatro, fazendo eleger Presidente da Câmara o seu cabeça de lista, José Carlos da Silva Reis Colaço, cargo que vinha exercendo desde 1974, aquando da sua eleição para Presidente da Comissão Administrativa, e o PS três.
Em função destes resultados eleitorais a Câmara de Beja ficou assim constituída, cuja primeira reunião após a eleição se realiza a 12 de janeiro de 1977:
Presidente, José Carlos da Silva Reis Colaço (FEPU) – pelouros: serviços de secretaria, tesouraria e polícia municipal; Vereadores: João da Silva Martins (FEPU) – pelouros: serviços de mercados, feiras e freguesias rurais, substituindo o presidente na sua ausência; Jorge José Pelica Moita (FEPU) – pelouros: serviços de sanidade pecuária e matadouro; Maria José dos Santos Graça Lam (FEPU) – pelouros: serviços de saúde, higiene e salubridade; José Luís Guerreiro Casteleiro (PS) – pelouros: serviços de obras, cemitérios e incêndios; Joaquim dos Santos Apóstolo Godinho (PS) – pelouros: serviços de jardim e arborização; José Pinheiro Monge (PS) - pelouros: serviços de instrução, cultura e desporto.
Sublinhe-se a prática de distribuição de pelouros por todos os eleitos e não só para os do partido mais votado, como agora acontece, numa prática de abertura democrática que, entretanto, se veio a perder numa lógica mais presidencialista do poder local.
A vitória expressiva da FEPU para a Câmara é repetida na votação para a Assembleia Municipal onde obtém 10 665 votos, 52,57% dos sufrágios, o que corresponde a dez mandatos, contra os 39,46% do PS (8 004 votos) o que equivale à eleição de oito deputados municipais.