Agência da ONU distingue projeto de Mértola como modelo de resiliência climática
A Terra Sintrópica, uma associação que trabalha na agricultura regenerativa e na inovação comunitária territorial, sediada em Mértola, foi distinguida pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) na Conferência Global de2026 para Ações One Health nos Sistemas Agroalimentares, que decorreu em Roma.
Esta distinção reconhece o Mértola Future Lab, uma iniciativa pioneira no sul de Portugal, como caso de estudo de referência em cocriação territorial para a transição agroecológica de base comunitária.
A conferência juntou líderes políticos de todo o mundo em torno do princípio One Health: a saúde das pessoas, dos animais, das plantas e dos ecossistemas está profundamente interligada. Nesta perspetiva, em Mértola, onde o calor extremo, a desertificação e o despovoamento ameaçam a viabilidade ecológica e económica, a Terra Sintrópica demonstra que construir resiliência climática não é apenas uma questão de meios técnicos: é um esforço enraizado na gestão comunitária do território e na cocriação com os municípios, as escolas e outras instituições.
Marta Cortegano, cofundadora da Terra Sintrópica afirma que «a transição agroecológica não é apenas uma mudança nas práticas agrícolas; é um impulso cultural que reconecta as pessoas ao seu território» e que «a verdadeira resiliência não pode ser construída para uma comunidade a partir de fora; tem de ser cultivada com a comunidade e a partir dela. O reconhecimento da FAO valida que as abordagens de base, centradas nas pessoas, são essenciais para curar tanto os nossos solos como as nossas economias locais.»
O trabalho da Terra Sintrópica contribui para a renovação do solo e dos ecossistemas, com a recuperação de terras degradadas através da agrofloresta. Os sistemas agroflorestais introduzidos devolveram a vida a solos semiáridos gravemente degradados, com solo mais rico, melhor retenção de água e comunidades microbianas vigorosas.
Em conjunto com agricultores, instituições públicas e consumidores locais, foi criado um sistema alimentar enraizado no território, uma matriz de transformação e uma alternativa às cadeias de abastecimento da agroindústria convencional.
Nas cantinas das escolas e dos lares, crianças e idosos comem agora alimentos produzidos no seu próprio território, tendo a soberania alimentar passado a fazer parte do quotidiano.
O reconhecimento da Terra Sintrópica pela FAO “sinaliza uma evolução importante na ação climática global: reconhecer que a segurança alimentar à escala global depende de capacitar as comunidades locais para liderarem as suas próprias transições ecológicas.”
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