Agricultores promovem marcha lenta para sexta-feira em Serpa contra subida dos custos
Uma associação de produtores agropecuários promove uma marcha lenta, na sexta-feira, no concelho de Serpa, contra a “falta de condições para manter as explorações a funcionar”, devido ao aumento dos custos de produção, foi hoje anunciado.
Foto: O ATUAL
Organizado pela APROSERPA - Associação de Produtores do Concelho de Serpa, o protesto arranca com concentrações em Serpa, às 07:00, e Vila Nova de São Bento, no mesmo concelho do distrito de Beja, às 07:30.
Os participantes vão depois partir dos dois pontos de concentração em marcha lenta pela Estrada Nacional 260 (EN260) em direção à localidade de A do Pinto, onde se unem, e seguem juntos em direção à Ponte do Guadiana, com passagem por Serpa.
“Após a chegada à ponte, a manifestação mantém-se em circulação entre a Ponte do Guadiana e Serpa durante 24 horas”, realçou a APROSERPA, estimando a participação no protesto de “cerca de 80 tratores e viaturas”.
No comunicado, esta associação realçou que os agricultores da região “vão sair à estrada para mostrar a sua indignação perante a falta de condições para manter as explorações a funcionar”.
“Os custos não param de subir, os preços não pagam o trabalho de quem produz e quem vive da terra e do gado está a ser deixado para trás”, alertou.
Já na segunda-feira de manhã, cerca de 50 agricultores do concelho de Serpa reuniram-se numa herdade perto de Vila Nova de São Bento, em protesto contra o preço dos combustíveis, sobretudo do gasóleo agrícola, que está acima de 1,80 euros por litro.
A agricultura no concelho enfrenta, atualmente, “condições impraticáveis, especialmente a de sequeiro”, disse então aos jornalistas o presidente da APROSERPA, João Revez, durante a concentração no campo, rodeado por quase 30 tratores.
Os apoios do Governo “são insuficientes”, afiançou o dirigente na altura, explicando que, “neste momento, é completamente impossível” aos agricultores avançarem “para as sementeiras de outono/inverno”.
“Já sabemos que vamos trabalhar com prejuízo”, porque, mesmo que as condições climatéricas ajudem e “o ano venha a favor”, não vão “conseguir refletir [o aumento dos custos de produção] na venda dos produtos no final do ano”, assegurou, naquela ocasião.
Em relação ao preço dos combustíveis, João Revez ilustrou que, por dia, com o uso de trator para preparar as terras, um agricultor gasta “320 litros de gasóleo”, em oito horas de trabalho: “Agora multiplique isso por uma semana”, desafiou.
Os apoios que o Governo já anunciou para os agricultores traduzem-se num acumulado de “36 euros” para cada um, acrescentou.
“Esses 36 euros não dão para comprar 20 litros de gasóleo, que é o que uma máquina de potência média, com 100 cavalos, gasta numa hora de trabalho pesado. Se tivermos duas máquinas dessas a trabalhar num hectare, chegamos ao fim do dia e gastamos” o mesmo que “um carro a gasóleo pode gastar para percorrer 6.000 quilómetros”, exemplificou.
E, além disso, “tudo encareceu”, disse, aludindo aos adubos, fertilizantes ou ferragens, entre outros fatores de produção.
Na segunda-feira, a APROSERPA reclamou a deslocação ao terreno do ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes, para falar com os agricultores, ameaçando que, caso contrário, avançariam com outras formas de luta.
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