Beja homenageia Florival Baiôa e anuncia bolsa de criação artística com o seu nome
Um mural em homenagem a Florival Baiôa foi inaugurado este domingo, no exterior da Casa da Cultura de Beja, numa cerimónia em que o município anunciou a criação de uma bolsa de apoio à criação artística com o nome do professor e investigador, com uma dotação prevista de cerca de 70 mil euros.
Promovida pela Associação de Defesa do Património de Beja (ADPBeja, a homenagem evocou o percurso de um dos fundadores da associação, que dedicou parte da sua vida à defesa, investigação e valorização do património do concelho e do Baixo Alentejo.
Na intervenção, o vice-presidente da Câmara Municipal recordou a frase de Florival Baiôa “continuo a acreditar que Beja é um sítio magnífico para se viver” e agradeceu à família por o ter partilhado com a comunidade.
“A partir de hoje, que este mural possa sempre lembrar-nos que Beja é um sítio magnífico para se viver e onde se pode sonhar grande”, afirmou.
O vereador da Cultura, Vítor Picado, anunciou a criação de uma Bolsa de Criação Artística, à qual o município pretende atribuir o nome de Florival Baiôa Monteiro, reforçando os apoios municipais em 70 mil euros.
“Baiôa foi sempre um impulsionador, um motivador, um aglutinador de vontades, alguém que estava sempre disponível para apoiar quem queria fazer, quem queria realizar, quem queria fazer acontecer”, afirmou o autarca.
“A cidade e os criadores do concelho devem muito ao Baiôa e esta é uma pequena homenagem a quem tanto deu de si pelo concelho de Beja”, acrescentou.
Segundo Vítor Picado, serão criados dois regulamentos distintos, dirigidos a estruturas coletivas e a criadores individuais, com uma dotação de 35 mil euros para cada concurso, abrangendo a criação artística, a programação e a edição.
“Esta bolsa de criação tem como objetivo aumentar o apoio do Município de Beja à criação artística no concelho, uma vez que é cumulativa com os restantes apoios, não substitui nenhum outro apoio existente”, esclareceu.
O vereador adiantou que já foram recebidos contributos de estruturas associativas do concelho, às quais agradeceu o espírito crítico e as sugestões apresentadas.
Mariana Conduto, companheira de Florival Baiôa, destacou o significado afetivo do painel e a possibilidade de perpetuar a sua memória no espaço público.
“Oferecer este painel à cidade é, para nós, uma forma de tentar dar imagem à ausência, de transformar a saudade em algo que fica, que se vê e que se partilha”, afirmou.
Na sua intervenção, agradeceu a presença de amigos e de todos os que contribuíram para a homenagem, sublinhando que o painel permitirá também dar a conhecer Florival Baiôa a quem não teve oportunidade de conviver com ele.
“Porque há pessoas que partem, mas não desaparecem. Permanecem naquilo que nos ensinaram, no amor que nos deram, nas marcas que deixaram e na saudade que continua a juntar-nos”, acrescentou.
O presidente da ADPBeja, Jorge Serafim, destacou a capacidade do homenageado para aproximar pessoas de diferentes gerações, sensibilidades e percursos.
“Não há pessoas insubstituíveis, mas há seres humanos irrepetíveis”, afirmou, recordando Florival Baiôa como um professor que marcou sucessivas gerações e que apoiava diferentes expressões artísticas, sem preconceitos.
Jorge Serafim defendeu ainda uma maior valorização dos artistas e do património local, alertando para a dificuldade de acesso a espaços com património azulejar e para a necessidade de articulação entre as entidades responsáveis.
“Precisamos urgentemente de perder os nossos preconceitos quando estamos uns com os outros”, sustentou, apontando a abertura à diferença como um dos principais ensinamentos deixados por Florival Baiôa.
Professor, investigador e historiador, Florival Baiôa desenvolveu atividades e publicou obras centradas na salvaguarda, recuperação e dinamização do património, com particular interesse pela arte azulejar.
Em 2019, foi distinguido pela Câmara Municipal de Beja com a Medalha de Mérito Artístico e Cultural. Morreu em fevereiro de 2024, vítima de doença prolongada.
