Portugal pode produzir 150 a 160 mil toneladas de azeite nesta campanha - Olivum
Portugal, o sexto maior produtor olivícola mundial e o quarto europeu, deve atingir as 150 ou 160 mil toneladas de azeite na atual campanha, ainda em curso, revelou a maior associação nacional do setor.
“Efetivamente, este ano, prevê-se [uma produção] um bocadinho melhor do que a do ano passado”, que foi ano de contrassafra, perspetivou à agência Lusa Pedro Lopes, presidente da direção da Olivum - Associação de Olivicultores e Lagares do Sul.
Segundo o responsável desta associação, sediada em Beja e que se assume como “a maior” do setor oleícola em Portugal, a campanha de apanha da azeitona e de produção de azeite ainda está “a meio”, mas as previsões são positivas, face à campanha anterior.
A Olivum espera que a produção de azeite em Portugal possa “rondar entre as 150 mil a 160 mil toneladas”, com o Alentejo, responsável por cerca de 80% do azeite produzido no país, a ter “um grande peso na produção este ano”, disse Pedro Lopes.
Autossuficiente na produção de azeite desde 2014, Portugal é atualmente “o sexto” maior produtor deste produto alimentar em todo o mundo e “o quarto da Europa”, mas o país deverá, em poucos anos, ultrapassar esse patamar, frisou.
“Provavelmente, com tudo que se prevê, Portugal poderá atingir as 250 a 300 mil toneladas de azeite a nível nacional” estimou, indicando que existem “muitas plantações novas” e que essa meta poderá ser atingida em “quatro a cinco anos ou nem tanto”.
E tem havido também “um crescimento e uma reconversão [do olival] por parte dos olivicultores”, que transformaram olival em Copa para olival em sebe, o que faz com que Portugal ainda tenham margem para crescer: “Ainda não estamos em pleno”.
As 150 a 160 mil toneladas de azeite esperadas na atual campanha ainda estão abaixo, sem contar com o ano passado de contrassafra (de diminuição da produção), das “209 mil toneladas” registadas em 2021, reconheceu o presidente da Olivum.
Mas tal deve-se a “alguns imprevistos climatéricos”, como as geadas ocorridas em fevereiro, que fizeram com que, este ano, as produções “não tivessem atingido o pleno”, justificou.
“Para o ano ou daqui a dois anos, certamente vamos atingir” a produção de 2021, afiançou.
Questionado pela Lusa sobre os preços elevados a que o azeite se encontra no mercado, o presidente da Olivum disse estar atento à situação, mas lembrou que “a lei da procura e da oferta é que marca muitas vezes o preço e é o que está a acontecer”.
“Não temos azeite todo o ano. Neste momento, está-se a produzir e, certamente, [a quantidade de azeite no mercado] vai crescer, porque vamos vender tudo o que temos”, afiançou.
O presidente da Olivum falava à Lusa à margem da 10.ª edição das OLIVUM Talks, iniciativa que decorreu hoje em Beja, para debater a evolução do setor e as perspetivas de futuro.
A Olivum, associação que assinalou hoje os 10 anos de existência, tem 130 grupos associados (que correspondem a 300 explorações) e 18 lagares, num total de mais de 49 mil hectares de exploração agrícola no país.
O Instituto Nacional de Estatística (INE) estima, para este ano, um crescimento de 20% na produção de azeitona em Portugal.
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