Autarca de Beja satisfeito por interesse público de futura fábrica de aviões militares
O presidente da Câmara de Beja manifestou hoje satisfação pelo reconhecimento público do interesse na instalação de uma fábrica de aviões militares no concelho, argumentando que o Governo está "finalmente" a olhar para o território.
"É mais um passo na construção do objetivo que é trazer este consórcio [de investimento] para Beja e mais uma manifestação de que, finalmente, e apesar de todas as dificuldades, o Governo está a olhar para Beja de uma forma diferente", congratulou-se Nuno Palma Ferro, em declarações à agência Lusa.
Na quinta-feira, numa deliberação aprovada em Conselho de Ministros, o Governo reconheceu o interesse público nacional na instalação em Portugal de uma linha de montagem final dos aviões militares A-29N Super Tucano, prevendo, em determinadas condições, a sua localização na Base Aérea nº 11 (BA11) de Beja.
A deliberação constitui um novo passo no projeto anunciado pelo Governo para a instalação em Beja de uma unidade de produção dos Super Tucano, depois de, em dezembro do ano passado, ter sido assinada uma carta de intenção entre o Ministério da Defesa Nacional e a Embraer para a abertura de uma fábrica desta aeronave.
Segundo o autarca de Beja, eleito nas últimas autárquicas por uma coligação entre PSD/CDS-PP/IL, esta decisão vem vincar a posição de que o território tem capacidade para captar "este tipo de investimentos" que vão trazer "um impacto global muito importante".
"O ministro da Defesa Nacional teve a amabilidade de me indicar em primeira mão [o reconhecimento do interesse público nacional] e estou muito feliz por isso. Como bejenses e baixo-alentejanos temos de estar muito contentes com esta decisão", referiu.
Para Nuno Palma Ferro, a possível instalação de uma unidade de produção dos Super Tucano vai permitir criar "cerca de 300 postos de trabalho diretos" e, consequentemente, trazer "mais famílias para Beja [e] quadros qualificados".
O que permitirá contribuir para o aumento de "massa crítica" e participação "na economia local", acrescentou.
De acordo com o presidente, o Governo agora "tem de fechar o negócio" e proceder "à assinatura do projeto".
Por isso, questionado pela Lusa, preferiu "não dar prazos" para a concretização do projeto e esperar que "as coisas continuem a andar bem", para, brevemente, vê-las "realizadas no terreno".
"Esta é mais uma manifestação de irredutibilidade de que há coisas a acontecer em Beja e isso deixa-me muito contente", rematou.
Em abril, o ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, afirmou que o Governo estava a dar "passos largos" para instalar em Beja uma fábrica da construtora aeronáutica brasileira Embraer para produzir estas aeronaves militares.
Na altura, Nuno Melo indicou que a expectativa era concretizar o projeto até ao final deste ano, seguindo-se obras de adaptação de infraestruturas, nomeadamente de um edifício já identificado na base militar de Beja, para instalação da linha de produção.
O ministro evitou, então, esclarecer se a unidade ficará dentro da BA11 ou em terrenos contíguos, junto ao terminal civil do aeroporto de Beja, limitando-se a indicar que vai ficar "no perímetro da Base de Beja", junto a instalações que tinham sido anteriormente pensadas para a produção de aeronaves.
O projeto está associado à relação já existente entre Portugal e a Embraer, que detém uma participação na OGMA - Indústria Aeronáutica de Portugal e tem em Portugal um centro de engenharia.A empresa brasileira participa também na produção dos aviões militares KC-390, parte significativa da qual é realizada em Portugal.
Em 17 de dezembro do ano passado, nas instalações da OGMA, em Alverca, o ministro da Defesa Nacional e o presidente da Embraer assinaram uma carta de intenção para a abertura de uma fábrica de aeronaves Super Tucano em Beja, na cerimónia que assinalou a entrega à Força Aérea Portuguesa dos primeiros cinco aviões desta categoria.
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